What are You Looking For?

Search

Partiu Joaquim Letria, um grande amigo da Festa dos Toiros

Periodista, escritor, apasionado por la Fiesta de los Toros, personaje que marcó un tiempo, nos dejó este viernes una figura de los medios de comunicación portugueses... Joaq…

Imagen

Periodista, escritor, apasionado por la Fiesta de los Toros, personaje que marcó un tiempo, nos dejó este viernes una figura de los medios de comunicación portugueses...

Joaquim Letria, uma das figuras mais marcantes e multifacetadas do jornalismo pós-25 de Abril, manteve ao longo da sua vida e carreira uma ligação estreita, apaixonada e defensora da Festa da Tauromaquia. Longe de olhar para a tradição taurina com distanciamento técnico, Letria assumiu-se como um verdadeiro amigo do meio, aliando o seu estilo mordaz e culto à paixão pelos toiros.

O Jornalista e a Divulgação da Festa

Espaço na Televisão e Rádio : durante as décadas em que marcou a rádio e a televisão públicas, Letria fez questão de integrar o meio taurino na discussão cultural portuguesa. No seu programa Já Está (RTP, 1988), por exemplo, dedicou emissões a entrevistas com grandes empresários e figuras do meio, como Fernando Camacho (então gestor da Praça de Touros do Campo Pequeno), Vitor Mendes (a quem seguiu com especial interesse); sempre projetando a Tauromaquia no horário nobre.
Crónica e opinião activa : colaborou com publicações da especialidade, deixando a sua marca analítica. As suas reflexões, por vezes intituladas "Luzes e Sombras de Joaquim Letria", abordavam sem tabus os momentos de crise, os desafios económicos e a necessidade de preservação da essência da Festa.

Aficionado conhecedor e "amigo da barreira"

Presença nas Praças : Joaquim Letria era uma presença habitual e respeitada nas bancadas e nas barreiras das principais praças de toiros do país, convivendo de perto com ganadeiros, toureiros e grupos de forcados.
Olhar intelectual sobre a Tradição: via a Tauromaquia não como um mero espetáculo popular isolado, mas como uma manifestação profunda da identidade cultural ibérica. Defendia o rigor técnico dos intérpretes (fossem cavaleiros, matadores ou forcados) com o mesmo nível de exigência com que analisava a atualidade política.

Defesa da Liberdade Cultural

Num panorama mediático que, progressivamente, tendeu a afastar a Tauromaquia das grelhas generalistas, Letria manteve-se firme na convicção de que a pluralidade cultural exige o respeito por todas as sensibilidades. O seu espírito permanentemente inquieto e avesso ao politicamente correto faziam dele uma das vozes mais respeitadas na defesa da Liberdade da Festa.

O jornalista e escritor português Joaquim Letria morreu hoje, dia 16 de outubro de 2026, aos 82 anos. A informação foi confirmada por fontes familiares e pela sua editora. O profissional encontrava-se debilitado há algum tempo, embora não estivesse doente, e deixa a sua mulher, Berta, e dois filhos, Pedro e Miguel. 
O seu percurso é marcado por grandes marcos na história da comunicação social em Portugal:

Carreira na Televisão e Rádio. 
O debate histórico : Em novembro de 1975, moderou na RTP o célebre frente a frente entre Mário Soares e Álvaro Cunhal, imortalizado pela mítica frase de Cunhal: "Olhe que não". 
Inovação no pequeno ecrã : Marcou a televisão do pós-25 de Abril com formatos que fundiam informação e entretenimento, como o Informação 2, Directíssimo e Tal & Qual (onde introduziu a popular rubrica Apanhados). 
Entrevistas marcantes : Ficou célebre por entrevistar uma cadeira vazia na televisão quando o então ministro Miguel Cadilhe faltou ao programa.
Rádio e polémicas : Passou pela BBC em Londres, Rádio Clube Português e, já nos anos 90, apresentou o programa Cobras e Lagartos na RDP Antena 1, do qual acabou por ser despedido após uma polémica relacionada com Angola. 

Imprensa e Projetos Editoriais
Foi uma figura central na criação de títulos fundamentais da imprensa portuguesa. Integrou a equipa fundadora do semanário Expresso e participou ativamente na fundação do semanário O Jornal (que daria origem à revista Visão), do jornal Tal & Qual e das revistas Sábado e Tempo Livre. 

Outras Funções e Vida Pessoal
Porta-voz presidencial : Entre 1980 e 1986, desempenhou o cargo de porta-voz da Presidência da República durante os mandatos do general Ramalho Eanes.
Superação e início : Nascido em Lisboa em 1943, contraiu poliomielite aos dez anos. Chegou a admitir que nunca achou que viria a trabalhar na televisão devido à condição das suas mãos. Iniciou-se no jornalismo no Diário de Lisboa aos 18 anos.
Foi também presidente do Sindicato dos Jornalistas, docente em várias universidades portuguesas e publicou diversos livros, incluindo A Verdade Confiscada (1998) e o recente A Arte da Crónica (2023). 

Várias personalidades públicas, incluindo a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, e líderes políticos como José Luís Carneiro, já reagiram publicamente manifestando o seu pesar por aquela que consideram ser "uma das figuras mais marcantes do jornalismo do pós-25 de Abril".

Entradas que pueden interesarte