Uma evocação de Fernanda MOUZINHO) Memórias de quando havia garraiadas cá na terra...






Memórias de quando havia garraiadas cá na terra. Recordo estas aqui documentadas que aconteciam no que também foi o campo de futebol do Pouso, mas também recordo as que se faziam em São Roque. Não se fazem há muito… perdeu-se no tempo está forma de convívio e animação. É pena. Era uma reunião de gente, da vila e dos arredores, que se dispunham a pagar bilhete para assistir às habilidades, valentias e ousadias de uns quantos artistas mais ou menos dotados para as lides de contornar, iludir, escapar… e até pegar umas vacas bravas….

Eram espaços preparados especificamente para a ocasião, primeiramente com carroças e já num passado mais recente com reboques de tractores, em ambos os casos gentilmente cedidos pelos lavradores do concelho. Para esses lugares altaneiros e protegidos subiam os menos afoitos e daí se assistia ao espetáculo. Um músico tocava para sinalizar os vários momentos. Quando dos curros improvisados o maioral dava sinal de estar tudo apostos lá se ouvia o toque para se iniciar a lide. Solta a vaca era dado oportunidade a todos para participar, correr no espaço, mostrar habilidades de capote, por um pé no recinto com o outro prontíssimo para de lá sair, fugir e ser apanhado, cair e rebolar ao ritmo de cornadas, mostrar valentia em corridas de praça a praça e muitos outros números mais ou menos artísticos que promoviam a animação do público, algum que outra grito de uma mãe aflita e a admiração das jovens moças perante a ousadia dos moços da sua geração… e assim se cansava a vaca e lá se ouvia o toque para pegar.

Pegar já era outro nível… para os mais destemidos, “treinados” de andar de terra em terra a executar a façanha, organizados ( ou não!?) em grupo onde se destinava um para ir à cara e se juntavam os restantes para ajudar. Tudo podia acontecer, desde uma pega com um firme na cara da vaca e uma quantidade interminável de ajudantes, como também um a levar derrotes pendurado dos cornos do animal e todos os outros a desaparecer de cena. Pontualmente havia uma nota oferecida por alguém do público ao moço que desempenhava uma boa pega e lá ficava o próprio e o seu grupo de ajudantes com uns trocos para refrescar a garganta da poeira acumulada durante noite de façanhas artísticas. Consumada pega lá se ouvia toque para a recolher o exemplar bovino … tarefa muito facilitada pela experiência acumulada das rezes, uma vez que faziam isto todo o verão e em inúmeros sítios, sabiam perfeitamente o caminho de volta aos tais curros!!

Recolhida a primeira viria a segunda e todo processo e exibições se repetiria por meia dúzia de vezes. No entretanto funcionava um serviço de bar onde se angariava fundos para uma qualquer causa ou comissão de festas. Era um convívio simples, genuíno, sem pretensões, de momentos de aflição com arranhões e nódoas negras, mas também de muitas gargalhadas…
Perdeu-se como tantas outras coisas hoje consideradas não essenciais …
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Na foto, Garraiada,
Castelo de Vide, Portugal, 1982

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by FERNANDA MARIA MOUZINHO
Fotos : DIOGO MARGARIDO
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