Após a ressurreição dos forcados de Alter do Chão, a análise de Fernanda Maria Mouzinho

Forcados de Alter do Chão, ayer, tras el éxito en la Arena d´Évora

Agora que a poeira da arena de Évora já pousou, já podemos avaliar o feito sem as euforias e alarido do momento. Passadas vinte e quatro horas continua a ser um feito, mas já o podemos olhar sem arrebatamento daqueles instantes. 
Hoje de manhã falava sobre o acontecido com um daqueles Forcados de referência, dos que realmente sabe e fizeram história nesta arte de pegar touros e me dizia “Temos que dar valor quando se tem e ontem… tiveram muito valor”. É indiscutível que o valor esteve lá. Mas eu vejo valor um pouco para além dos minutos que lhes deram a vitória neste concurso.
 
Acho, de facto, que muitas vezes é preciso mais valor para parar que para seguir em frente. Quando a 13 de agosto passado assisti à Corrida que viria a ser motivo para a decisão de suspender actividade do Grupo de Alterl, vi o desespero e o sofrimento destes moços, vi o desnorte causado pela frustração de não atingir nem os mais mínimos objectivos, vi a humilhação sentida por cada um que envergava a jaqueta salmão consumir o próprio e todos os que já a envergaram ou de alguma forma se sentem ligados ao Grupo. Nas horas seguintes tiveram valor. Tiveram o imenso valor necessário para reconhecer com humildade que não tinham reunidas as condições para continuar. Suspenderam actividade nessa temporada.
O valor que deve ter sido necessário para esta decisão!.
 
Este ano retomaram os treinos e elegeram novo Cabo. E mais uma vez foi preciso muito valor. Escolher um Grupo de Forcados para pegar touros é opção com várias origens….pode ser porque são da terra, porque têm lá amigos, porque veneram um Forcado que lá pega, porque se identificam com a postura do Grupo, porque admiram o historial, porque já outros familiares lá pegaram… as motivações são das mais variadas ordens mas não há nenhuma obrigatoriedade na hora de escolher um Grupo. 
Os moços que retomaram a actividade do Grupo de Forcados Amadores de Alter do Chão este ano tiveram o valor de ir dar a cara e ambicionar vestir a jaqueta num conjunto que não estava a começar do zero, estava a tentar retomar do menos vinte…. que estava verdadeiramente na mó de baixo.
O valor que deve ter sido preciso para esta decisão!!

Recomeça e temporada e na altura em que é construído o cartel para o momento alto, as Festas de Alter, houve a hombridade e o valor de reconhecer que não havia, à data, maturidade suficiente para integrar o cartel mais ambicionado pelos próprios.
O valor que deve ter sido preciso para esta decisão!!

Ontem tiveram o melhor dos recomeços. Com muito valor sem duvida nenhuma. Um feito que fica na história do Grupo. Agora será momento de sacudir a poeira da arena de Évora e com ela algum tique de euforia, por os pés no chão e olhar em frente. 
Trabalhar na reconstrução de um caminho e ter o valor para fazer as melhores opções no futuro. Haverá de certo vários momentos, ainda nesta temporada, para ver saltar à arena os moços deste Grupo fazendo o seu Cabo Joao Galhofas as escolhas necessárias para dar o seu melhor honrando a jaqueta salmão.
E o valor que será preciso nessas decisões….


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tribuna da tauromaquia 
by FERNANDA MARIA MOUZINHO
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