"Efemérides e história!" es una sección de la TRIBUNA da TAUROMAQUIA, a cargo de Luis Miguel Barroso
Foi aquele 1 de Setembro de 1957, no Montijo!
Foi inaugurada a praça de toiros local, Monumental "Amadeu Augusto dos Santos", com um cartel no qual figuraram os cavaleiros Dr. Fernando Salgueiro, D. Francisco de Mascarenhas, Manuel Conde e D. Luíz d' Ataíde, tendo sido lidados oito toiros de D. Duarte de Atalaia e um de Manuel Caría, este oferecido pelo próprio ganadeiro e cuja carne reverteu a favor dos pobres daquela então vila. As pegas foram confiadas ao grupo de Forcados Amadores de Santarém, que nesta função apresentaram duas formações, uma comandada por Ricardo Rhodes Sérgio e outra por José Carrilho. Dirigiu o espectáculo, o antigo cavaleiro de alternativa montijense Justiniano Gouveia.
Pese embora a sua história tauromáquica tenha repercussões contadas através de tempos imemoriais, a verdade é que podemos encontrar os primeiros registos documentados de funções taurinas em Aldeia Galega do Ribatejo, actual Montijo, situadas no principio da segunda metade do século XIX.
Desde logo, com a realização de duas corridas de toiros desempenhadas por amadores no verão de 1862, numa praça de madeira previamente construída para o evento, por ocasião das festas tradicionais da vila, realizadas nos dias 24 e 25 de Agosto. A praça ficou instalada nas imediações do Convento dos Frades da Graça, onde é hoje o cine-teatro local.
Como a durabilidade dos materiais usados era extremamente curta, iniciou-se um ciclo de renovação do recinto, até que em 1887, iniciava-se um novo ciclo de transição, em que a praça velha deu lugar a um novo recinto instalado no mesmo local, mas aumentado na sua lotação, que tinha um aforo para cerca três mil pessoas.
Este tauródromo, construido por iniciativa e espensas do então proprietário da Herdade de Rio Frio, José María dos Santos, duraria cerca de sessenta e três anos, com as inegáveis necessidades de substituição dos materiais usados. Com a necessidade de substituir o velho recinto, por um mais cómodo e funcional e correspondendo ao clima de euforia que a festa de toiros propiciava à época, é precisamente no principio da década de 50, que um conjunto de estimados cidadãos aficionados e com relevância na vila do Montijo, resolve juntar-se em Comissão Pró-Construção do novo tauródromo e lançar mãos à obra.
O consórcio de empreendedores era composto pelos ilustres José Salgado de Oliveira, Dr. Manuel Nepomuceno Leite da Cruz, Amadeu Augusto dos Santos, José Júlio da Veiga, António Rodrigues Tavares Júnior, Izidoro Maria de Oliveira, Domingos Tavares, António Maria Ramos Rasteiro, João Euclides Rosa Carneiro, Manuel Cândido da Costa e António Júlio Canarim Nepomuceno e o seu raio de acção só alcançou a meta a que se propuseram, com a união directa quer da Santa Casa da Misericórdia, quer da Câmara Municipal do Montijo, por forma a agilizar o desenvolvimento do projecto nos seus entraves burocráticos.
Apesar das ajudas e da subscrição pública necessária para a angariação de fundos e materiais para a edificação do novo recinto, a verdade é que foi necessário esperar ainda cerca de sete anos, para que a obra tivesse início, o que ocorre a 1 de Abril de 1957, estando a mesma confiada às mãos do arquitecto autor do projecto, Amadeu José Gomes dos Santos Júnior, filho de Amadeu Augusto dos Santos, o grande mentor e entusiasta do novo recinto montijense, que ficaria concluído em pouco mais de quatro meses, precisamente a 28 de Agosto do referido ano.
As gentes do Montijo e das regiões circundantes, acorrem em massa a preencher os cerca de 6300 lugares da nova praça de toiros portuguesa, na tarde de 1 de Setembro de 1957 e em cujo cartel figuravam os nomes dos mais ilustres toureiros da época, bem como a assistência do então Governador-Civil do Distrito de Setúbal, Dr. Miguel Bastos.
Já nas mãos da Santa Casa da Misericórdia, o tauródromo conheceu a gestão de muitos e categorizados empresários, nacionais e também internacionais (como António Ródenas), que fizeram passar pela sua arena, praticamente todas as grandes figuras de Portugal, Espanha, México, Venezuela e Colombia, em memoraveis tardes e noites das suas festas de S. Pedro e não só.
A 3 de Setembro de 1982, na comemoração do seu 25⁰ aniversário, a praça de toiros do Montijo recebe muito justamente, o nome daquele que foi sem dúvida o seu grande impulsionador, Amadeu Augusto dos Santos. Em 23 de Setembro de 2008, a Câmara Municipal declara o edificio como Imóvel de Interesse Municipal. E apesar de tudo, a praça de toiros do Montijo, perdeu muito do seu fulgor e importância, desde logo pela redução substancial da sua actividade, num período em que está prestes a comemorar os seus 70 anos de existência.
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