Nuno Marques sabe un rato largo de forcados y toros. No en vano fue un brillante cabo del Grupo de Forcados Amadores da Chamusca. En esta amarga hora de la muerte de Manuel Trindade, Nuno hizo público un brillante texto de homenaje que, con la devida venia, pasamos a reproducir como muy bien merece...


O Forcado.

Não conhecia o Manuel pessoalmente, mas bastaram poucos segundos para prender a minha atenção. E já passaram dois anos (só de imaginar agora que na altura ele tinha apenas 20 anos).

O cite atrevido, a postura confiante e a firmeza nos passos…naquela noite desenhou com superior elegância uma pega que foi concluída com raça, técnica e autoridade.
Fiquei fã Daquele Forcado que desconhecia. Confesso até uma saudável inveja pelo que acabara de ver. Estava ali tudo…e tudo tão bem feito.

Hoje acordei com a notícia de que algo grave teria acontecido no CP.
Abri a notícia e realizei que era um forcado do grupo de São Manços que saíra lesionado a tentar pegar o primeiro touro da corrida… lembrei-me imediatamente Daquele Forcado que tinha no meu imaginario.
 
Manuel Maria Trindade é o seu nome e agora não vou esquece-lo, pelo pior dos motivos.
O Manuel Trindade fez ontem mais um cite, elegante e firme, indiferente à seriedade e tamanho do oponente.
Reuniu como só os melhores conseguem, agarrou-se à vida com braços de ferro e alma de um guerreiro, teve a ajuda temerária dos seus sete irmãos que tudo fizeram para o ajudar…foi o seu último abraço.
 
Ser forcado é uma escolha, é ter a coragem de encenar a tragédia na vida real.
É a resolução de viver entre o triunfo e o fracasso, mas também um ritual de vida e morte.
Sinto uma angústia enorme, pelo Manuel e sua família, pelos amigos e elementos do Grupo de Sao Manços, mas também por outro motivo do qual não posso fugir neste momento.
 
Partilho convosco palavras escritas por um amigo (Manel Cunha Calado) palavras que me emocionaram bastante e que resumem o propósito de quem se veste de Forcado :

Partiste, mas ficas.
Sempre ficas.
Porque a bravura não se enterra.
Planta-se.
E floresce em todos os que continuam…

O Manuel Maria Trindade plantou admiração e bravura em todos os cantos onde se vive o forcado, e em todos nós permanecerá vivo.

Por fim, centremo-nos no que e realmente importante, celebrar a vida do Manuel e apoiar os que ficam a sofrer.
O resto não importa, aqueles que preferem o antropomorfismo ao humanismo não são dignos de atenção.
 
As nossas orações são pelo Manuel.

NM
23AGO25

Foto de ARAÚJO MACEIRA