"Eleições vs touros, ou ao contrário") Outro artigo imperdível da Dra. Ester Tereno




Texto de la Dra. ESTER TERENO / Fotos : D. R.
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Eleições vs touros, ou ao contrário


Eleições vs touros, ou ao contrário, é como preferirem. Já adivinhavam, claro, que esta será a última crónica antes das eleições.

Passado Mourão, uma lufada de afición, alegria e buen toreo, resta-nos esperar por Olivenza, e muito importante, as eleições e o nosso voto.

Bom, mas entre suposta extrema-direita vs. extrema-esquerda, tanta coisa ridícula e sem palavras... Sinais de modernidade, a descontracção, a falta de brio em tudo, enfim. Mas num mundo onde os miúdos que são instagrammers e vivem disso e bem, à conta de partilhar a vida toda toda, está tudo dito. Bendita era Wi-fi que criou uma geração egocêntrica, de cristal do vale tudo. E tinta, muita tinta, agressões puras e já está! E se calhar os pais até têm orgulho neles, esses valentões!


E já agora, introduzo um estudo altamente didático, acreditem.


O que acontece quando se cria uma Geração Cristal? Esta questão foi colocada pelo etólogo John Calhoun nas décadas de 60/ 70, que conduziu um estudo com um grupo de ratos, criando um habitat ideal, com bastante comida, água, espaço e abrigo.

O que aconteceu a seguir foi que tanto conforto, resultou num declínio irreversível, culminando na completa extinção dos ratos. Os últimos ratos sobreviventes eram apáticos, solitários e indiferentes.

Calhoun comparou este fenómeno ao das sociedades humanas, previu um futuro sombrio para a humanidade. Segundo ele, o excesso de recursos e a falta de desafios levariam à perda de sentido e de valores, e à degeneração social e moral. Ai bolas, que isto soa a qualquer coisa que vemos diariamente!

Por falar em perda sentido e de valores, na política vê-se com cada coisa, tanto em outdoors, como nas reacções aos mesmos e tantas outras coisas. Muito mau. Sempre me ensinaram que atacar uma pessoa por uma característica física, por mais odiosa que seja essa mesma pessoa, é má-criação, é descer a um nível que não é o nosso. 

Oh, País tão provinciano este, onde se discutem títulos académicos e não competências. 

Oh Céus, que País onde atacar por atacar é mais inteligente que a união na defesa do que é nosso!


Façamos o seguinte exercício, relembrar detalhes como praças encerradas, proibição da assistência de menores, propostas em Assembleia, etc.. Os Deuses devem estar muito aborrecidos connosco para nos fazerem passar por tempos tão idiotas.


O sentimento de culpa, o medo, a vergonha... credo! Acordem!

O medo de parecer politicamente incorrecto se não se falar da pegada carbónica, ou da moda sustentável, ou mesmo do famoso aquecimento global. E é deste medo, que outros se alimentam e crescem, aproveitam os espacinhos vagos que vamos deixando.

O medo é coisa que o português já devia ter mandado para um lado que todos cá sabemos. 

Pelo amor á nossa Tauromaquia, por favor... votem, e nem precisam saber bem onde pôr a cruz, desde que saibam onde não a colocar! 


Há coisa mais digna de ser defendida com unhas e dentes? Nesta encruzilhada dos tempos em que vivemos, onde as visões do mundo se encontram e colidem com a força de tempestades antigas, a tauromaquia emerge como um farol de tradição, arte e cultura que desafia as ondas de mudança e o escrutínio moderno.

Esta dança de luz e sombra é a narrativa viva de uma cultura que se recusa a ser silenciada pela passagem implacável do tempo.

Não é simplesmente uma arte, é uma declaração de guerra contra a uniformidade, um grito comovente pela liberdade criativa e pela individualidade.


A defesa da Tauromaquia assenta não só no seu contributo ímpar para a diversidade cultural e para o património artístico da humanidade, mas também na sua capacidade de representar a interacção contínua entre o homem e o meio ambiente.


A nossa cultura rica e diversificada é uma prova dessa capacidade, e é nossa responsabilidade preservá-la, não como um monumento ao passado, mas como uma ponte para o futuro, sempre em diálogo com a natureza que nos define e desafia.

Esta arte, indissociavelmente ligada à sua natureza criativa, recusa-se a ser domesticada. Num acto de desafio supremo, el albero é transformado numa tela, transmutando o conflito em traços vibrantes de audácia e o confronto em versos rebeldes. É um lembrete de que a vida e a arte estão intrinsecamente interligadas com a morte e o sofrimento, aspectos que a sociedade moderna procura desesperadamente esconder sob o véu de uma “sociedade melhor e mais consciente”.


Uma tourada é uma representação fiel da vida, que reúne tudo, absolutamente tudo que um ser humano vivencia. Essa honestidade mostrada ao mundo...

Concluindo, a tauromaquia não é para os fracos de coração nem para quem procura conforto na arte. 


Com isto tudo, quero deixar uma mensagem de esperança, temos Olivenza aí à porta, e logo de seguida, as eleições! Onde a livre escolha deve governar, mas com juízo, disto temos a certeza absoluta.

E "absoluta" por vezes não é uma palavra simpática, a não ser no contexto de verdade absoluta do amor que temos por esta nossa Arte!








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