«Não peça perdão e outros mandamentos para sobreviver aos “anti”». Otro artículo genial de Ester Tereno

Alumnos de la Escuela Taurina de Badajoz, hace pocos días, en una clase práctica, en São Vicente e Ventosa. (Fotografía de Rosalea Ryan)

Um artigo da Dra. Ester Tereno.

Não peça perdão 

e outros mandamentos 

para sobreviver aos “anti”


Despedidas de forcadagem, uma perda importante para a nossa história, uma homenagem mais que merecida, êxitos dos nossos bandarilheiros e matadores, muita coisa aconteceu neste mês. Muita coisa ficou igual.


Agora, espero que a minha audácia seja perdoada pelos ilustres leitores, por esta servidora atrever-se a dar os seus próprios conselhos. 

Não será sobre mandamentos religiosos, apenas um género de humilde Bíblia Taurina, ajudemos aqueles que se sentem ameaçados entre tanta armadilha, pela maré “anti-taurina”.

Existe algum caminho que nos mantenha longe do mal? 

Proponho quatro mandamentos, e proponho a leitura ao som do Pasodoble “Morante de la Puebla” do nosso querido amigo Maestro Abel Moreno Gómez (parece-me épico e motivador o suficiente para o que se segue):


1. Não pedirá perdão pela sua afición 

Este mandamento é paradoxal. Afinal, a Bíblia e as boas mães ensinam a pedir desculpa, quando erramos. Problema: nada fizemos de errado, somos apenas taurinos.

Quando vemos uma caçada a qualquer defensor da tauromaquia, o objectivo não é que este peça perdão e pronto. O objectivo é anulá-lo. “Apague-os, amaldiçoe a sua memória”, defendem. 

É este o lema da cultura do cancelamento.

Aqui entre nós, uma autocritica: em círculos taurinos defendemos muito bem as nossas posições, depois numa qualquer reunião de trabalho, calamo-nos, não vá ser que se melindrem.

Temos que ser politicamente correctos, “nim”, descafeinados? Nunca! Não pode ser, e contra mim falo. Dizem existir assuntos tabus, como religião, touros, política, não e não, temos que debater, conhecer as opiniões todas! E sei que já não se debate nada, mas tentemos.

Urgente é sacudir o pó persistente, sacudir os complexos, “ainda dizem que sou um torturador”, “ai que me vão olhar de lado”. Se para alguns, os touros são hoje um escândalo, são-no devido a uma minoria complexada e escandalosa.

Tenhamos a certeza de estar do lado correcto das coisas!

Porque temos que defender sempre a festa, ser responsáveis por explicá-la, ou sentirmo-nos culpados? JAMAIS! É encher o peito e dizer: “sou taurino com muito orgulho, e?”


2. Defenderá os nossos valores

Este mandamento é válido para os novos ídolos. Pois é, e sabemos os seus nomes: feminismo radical (nem sempre favorece as mulheres), minorias raciais (jamais exclamaremos que as vidas negras importam, mas sim que todas importam), pseudo-ecologismos, bla bla... 

Estigmatizam quem não pensa como eles, criminalizam quem não concorda com as suas tontices: se é contra a imigração ilegal, é racista; se não é contra os touros, é um torturador de animais, etc.


Ao contrário de tudo isto, o touro encarna valores que estão sob ameaça, os pilares da sociedade (valentia e bravura, verdade e beleza). Sacrifício, superação, os revezes da vida, todos fora de moda, numa sociedade que só aprecia o conforto.


O touro bravo nasceu para a guerra, para a heroicidade, o homem que o quer proibir, é o que apenas sobrevive, não vive.

Vejamos, a vocação foi completamente aniquilada pelo interesse, todos têm que ser máquinas de sucesso, fazer dinheiro, ao contrário do toureio. Quem mais quereria ser toureiro a não ser por vocação? 

Sem valores, o homem torna-se num rato, indo para onde lhe derem mais 20€, sem olhar a meios. Tiram o sentido da vida, e o toureiro enfrenta a morte, o sentido da vida! E isto chateia tantos.

À afirmação de que existe tortura numa corrida, respondemos: levar um touro à arena para sofrer, é como culpar a nossa mãe por nos ter trazido ao mundo e não ter evitado sofrimentos que experimentamos durante a vida. Perguntas tontas merecem respostas adequadas, pode ser que assim entendam que não há nada mais nobre que a tauromaquia. A festa é crua, não cruel...


3. Dará luta

Alguns acreditam não ser necessária uma cultura de luta, a festa nunca acabará. Porquê lutar, se já vencemos? Atentem, em breve qualquer terapeuta será proibido de sugerir que os problemas psicológicos de uma menina, talvez não derivem da sua suposta transsexualidade... 

Relembro que o PAN não desiste e até já fez uma iniciativa em frente ao Campo Pequeno, e que a Nazaré rejeitou por pouco uma moção anti-taurina.

Não peço que lute: só peço que perceba o que já foi declarado, o discurso de ódio é deles para connosco. O que resta está reduzido a: desistir ou não desistir. 

A defesa só vem depois de ataques, e conseguimos lembrar-nos de uns quantos.

Não fiquemos entrincheirados no nosso castelo a resistir apenas, levantar é urgente!

Ou deitamos todos fora a bandeira da dignidade e limitamo-nos a fazer exames médicos a cada 3 meses à espera daquela doença? 

Doença é esta que vive a nossa sociedade, animalismo. Humanizam-se os animais, aliás os que têm cães com nomes Afonso, Bernardo, etc., é quase certo que fazem ioga! Por uma razão, porque quem humaniza animais, isola-se, e procura o sentido da vida. Como não tem resposta num animal, procura ajuda, e encontra-a no ioga. São metáforas senhores, lá vou ganhar mais uns amigos depois desta.


4. Seja feliz

Bem, porque está na moda ser feliz a todo o custo, aqui explico a verdadeira felicidade, sem unicórnios.

Afirmam que o mundo avançará se as vítimas dominarem, basicamente é isto. Cabe-nos a nós mostrar que isso encoraja a vitimização, tornando as pessoas fracas, infelizes. A submissão a estes novos dogmas resulta numa vida confortável, mostremos que o puro conforto, não é vida. Felicidade não é apenas conforto (deixamos isso para quem desistiu da batalha, preferiu ser “borrego” de ideias alheias).

O toureio nada tem de conforto, sim de valentia!


Ainda assim, estamos a tempo de despertar, não só sobreviver mas “superviver”, resgatemos os verdadeiros heróis, aqueles que alguns chamam de assassinos, não youtubers sentados numa cadeira com milhões de visualizações. Num mundo virtual, borbulha de falsidade, perante a inércia da sociedade, estamos obrigados a lutar. 

Felicidade é: olhar para a vida e, embora por vezes maltratado, com nostalgia, confessar a si mesmo: “Sim, o que vejo, absorvo dos valores do toureio, aprendo e aplico”. E então está tudo certo.

Mas é bom termos algo por que lutar, pela nossa sobrevivência social e cultural, caso contrário, estaríamos no paraíso! 


"...é bom termos algo por que lutar, pela nossa sobrevivência social e cultural..." ( Fotografía de Rosalea Ryan, tomada en una clase práctica, en São Vicente e Ventosa, Portugal).





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