REEDITANDO artigo de Ester Tereno) Princípios para uma vida “NIM” (Assobiem para o lado)


TRIBUNA da TAUROMAQUIA
by Dra. Ester Tereno
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26/1/ 2023

Princípios para uma vida “NIM”

(Assobiem para o lado)


Vários são os princípios que poderia enumerar, mas vou-me cingir a dois. 

E juro que me custa, sou sempre apologista do lado bom das coisas, das pessoas, detesto más-línguas e muito menos fatalismos. Muito menos tenho paciência para quem diz mal da nossa tauromaquia, arrumem a vossa casinha antes de falarem. Mas se tem sido difícil, agora ainda mais.

Está aí à porta uma nova temporada, carregada de ilusão e esperança, uma pessoa está desejando coisas boas, mas não, tomem lá mais uma machadada.


Mas vamos ao que interessa, para iniciar a faena, venha o primeiro: 

Assobiar para o lado, e um povo que é especialista nisso mesmo, e a sua triste história.

Falcatruas atrás de falcatruas na política, famílias inteirinhas no governo, milhões que ninguém sabe onde ondam, e que fazemos? A moda do “não sei, não tive conhecimento”, em política, na tauromaquia, em tudo. 

Assobiamos para o lado.

Cada vez menos corridas, cada vez menos praças, e quem de direito a refilar, protestar, o que seja, faz o quê? Lá vem o assobio novamente.

O museu, o espólio taurino que lá estava, ninguém sabe de nada, que se faz? Já sabem a resposta.

Acontecimentos absolutamente delirantes, ainda que alguns achem que até é bom que uma marca comercial dê o seu nome a um edifício histórico, quero só relembrar que esta mesma marca há uns anos, retirou o apoio a actividades tauromáquicas, não vá ser que algum “não aficionado” se melindre, e quê? Assobiamos!

O cãozinho fez “pupu” na rua e o dono não apanhou? Todos em uníssono, assobia para o lado, e desvia (aqui o melhor mesmo é andar sempre com a cabeça baixa à procura do “brinde”, coisa que é tão prejudicial à saúde da coluna, mas fundamental para não pisar o que não se quer).

E podia continuar, mas não vos quero maçar mais com assobios, e olhem que até assobio bem, já cantar nem por isso.

Por vezes, dá vontade de desistir e mandar tudo às urtigas, ou arranjar uma ilha onde possamos estar sossegados a desfrutar das “nossas” coisas sem que ninguém nos chateie, o único problema é que não vai acontecer.


Ainda lembro, tantas noites de corridas de touros no Campo Pequeno, noites de amizade e diversão. Quem não tinha abono, podia dar-se ao luxo de escolher a que corridas ir, eram tantas. Ah, esperem, isso já terminou, e não volta mais, são só quatro e por teimosia!

Agora é só mais um recinto para festivais de música, apenas falta um parque de campismo ao lado! Sim, que princípio número dois está mesmo aqui! 

Bom Português, só se preocupa, reage e manifesta com Futebol e Festivais de música!


Quando se apropriam do que é nosso e acabam com as nossas coisas, a nossa resposta é sempre, qual criança mimada: “olhem que chamo o meu pai”, ou, “ai que maus que são, papá diz-lhes alguma coisa, defende-nos!”. E aqui, podia estar a referir-me ao meu próprio Pai, mas não, generalizei, sim que o meu já fez mais do que era suposto em defesa das tradições.


Estão-nos a limitar a liberdade com a desculpa dela própria! E já vem acontecendo há muito tempo, e nunca vi ninguém de direito preocupar-se muito com o assunto. 


Estamos condenados à ditadura do todos-iguais! Temos que ser anti-taurinos, bio, sem sal e sem glúten, recarregar baterias a ver o mar, usar meias técnicas para o running e fazer um curso de costura criativa. Esta facilidade com que se invade a vida de outros é tudo menos liberdade. É mesquinho, é rasteiro, afinal, não passamos de uns patetas ressabiados. 

E não se enganem sobre eles. Eles não são maus. Não enfeitemos com a palavra mal o que é apenas estupidez. 

É verdade que às vezes é difícil diferenciar um tonto de um vilão, porque a esta altura do campeonato, tontos somos todos.

Dra. Ester Tereno
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