Manuel Peralta Godinho e Cunha y su evocación de la “Fêra de Barrancos”

Barrancos

No começo deste século uns zelosos animalistas
Pseudo-folclóricos, anti-taurinos e quase turistas
Chegaram a Barrancos, mal encarados em excursões
Resolveram ir ao Alentejo fazer umas reclamações
De Lisboa e da outra banda, da Baixa da Banheira
Dos Estoris, de Chelas, da Buraca e da Ameixoeira
Vestidos a rigor, de luto carregado pelos animais
Porque não querem a morte dos toiros, esses tais
Sempre protegidos pelos guardas republicanos
Receosos e à devida distância dos alentejanos
Há meses queriam a proibição dos toiros de morte
Gemiam, esbracejavam, gritavam mas sem sorte
Para as televisões saltavam e faziam vários sinais
Em bicos dos pés noticiavam para todos os jornais
Reboliço de gentes diferentes na “Fêra de Barrancos”
Admirados com as discussões que faziam em Lisboa
Porque uns de lá diziam que a festa não era boa
---
Depois o decreto estragou o negócio e o movimento
Mandou matar os toiros mas em regime de excepção
Venda do vinho e do presunto passou mau momento
Saíram os zangados e os curiosos, parou a confusão

Manuel Peralta Godinho e Cunha
Setembro de 2022


NOTA del AUTOR (Manuel Peralta Godinho e Cunha) :

A vila de Barrancos é um caso especial da tauromaquia portuguesa e agora mais esquecida pelas televisões desde que tem um “regime de excepção para a sorte de matar”. A legalidade afastou a notícia.
Ao ter sido aprovado o “regime de excepção” que consente os “toiros de morte” naquela localidade, ficamos com a dúvida se tal foi bom para Barrancos porque falava-se muito mais das Festas; ia lá mais gente motivada pelas diversas notícias; ganhava o comércio local; traziam-se entretidos os animalistas anti-taurinos, que para fazerem aquelas manifestações sempre tinham que sair de Lisboa, de excursão, e apanhar o bom ar puro do Alentejo e quando regressassem a casa até poderiam parecer mais coradinhos e felizes, sem aquele ar taciturno de quem anda todos os dias debaixo da terra nas viagens de metropolitano e todos juntos poderiam aproveitar para comerem umas tapas, beberem um “tinto de verano” e depois uma “cafezada com churros”…enfim fazerem-se homenzinhos e mulherezinhas aproveitando o cheiro a "Fêra" e não andarem com aquela pesada angústia a pensar que não podem comer presunto por alguém lhes ter dito que uma alimentação à base de alfaces é muito importante para prevenções indigestas. Teorias… por isso têm aquele mau aspecto, um aspecto enfezado e raquítico.
Artículo Anterior Artículo Siguiente