"Capela da Praça de Toiros", nuevo poema de Manuel Peralta Godinho e Cunha

Capela da Praça de Toiros

Capela branca e modesta de praça pequena
De Todos-os-Santos e da Virgem de Macarena
Um cavaleiro sozinho rezando perante o altar
Pedindo ânimo, coragem, exorto e destemor
Um olhar atento e infinito nas velas acesas
Mais orações da alma proferidas com ardor
Lá fora a quadrilha aguarda e entende o culto
Ouve o silêncio com respeito, olha e vê o vulto
Sentida prece de joelhos, com fé, é proferida
Promessa confirmada e bênção muito pedida
Recua com respeito e sai depois de se benzer
Monta a cavalo, faz as cortesias e com prazer
Bandarilha na mão o peão atravessa a praça
Num detalhe toureiro só nosso, da nossa raça
De frente para os curros aguarda sereno
Tricórnio na mão para um saudar supremo
Toca o clarim. Toiro na arena, de repente
Capotes abertos, quadrilha na trincheira
Força medonha, bravia, no ar muita poeira
Ao sol, destapa-se o som da arte e o valor
Delírio no público, um delírio maior e profundo
O povo aplaude com muita força, com calor
O melhor e maior espectáculo do mundo
Manuel Peralta Godinho e Cunha
Agosto de 2022