Parar, mandar e templar

 


Belmonte em 1912 acabou com o mito que o toiro tinha o seu terreno e o toureiro outro. Com a ideia muito enraizada de que o toiro vinha e que o toureiro tinha que se afastar - em termos taurinos: “se tirar” - porque senão haveria a colhida.
Ao ser o primeiro toureiro a cruzar-se, com o toiro, estando com os pés perfeitamente parados durante o CITE, começou a mandar na investida do toiro e a dar-lhe a saída, templando a investida, impondo a triologia: "PARAR, MANDAR e TEMPLAR
Belmonte não introduziu na arte de tourear nenhuma sorte nova, mas foi ele quem lhe deu alma e expressão.
Com o seu toureio inovador, Belmonte dividiu o mundo dos toiros em períodos absolutamente distintos: ANTES DE BELMONTE, onde os toureiros tinham terrenos proibitivos e DEPOIS DE BELMONTE, onde todos os terrenos passaram a ser do toureiro.
Por tudo isso, alguém lhe chamou "El Pasmo de Triana".

Manuel Peralta Godinho e Cunha