A Democracia está cumprida, falta cumprir o Portugal taurino

Más a propósito de la decisión de ayer, prohibitiva, por parte del Gobierno portugués...

Nuestro muy querido amigo y compañero de fatigas, Jaime Martínez Amante, ya publicaba en el pasado mes de junio un interesante artículo que ahora reproducimos y que resume, muy bien, un estado de cosas en la Tauromaquia lusitana.

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A DEMOCRACIA ESTÁ CUMPRIDA, FALTA CUMPRIR O PORTUGAL TAURINO
O Abril de 1974 abriu caminho para a construção da liberdade e da democracia. Nessa batalha imensa que nunca está acabada, exige muito de todos nós, no dia a dia, na vida associativa, no mundo laboral, no campo, na cidade, na divergência e na plenitude de direitos e deveres, porque haverá sempre quem nos queira silenciar e reduzir a meros servos de «pensamentos únicos», de «estratégias únicas» e de «cultura única».
A Democracia abriu o caminho para a vivência em pleno, para sentirmos que somos diferentes, que somos únicos, e que a vida se constrói numa dialética de diversidade.
Por isso somos aficionados, guardiões da mais pura manifestação da cultura portuguesa (aliás o que já resta da nossa riquíssima cultura).
Sinto esta energia de quem sente a Liberdade como uma causa nobre, uma causa pela qual vale a pena lutar e erguer todos os dias as nossas bandeiras.

Sei, e reconheço, que cada um de nós pode ter uma visão diferente do mundo cultural português, da sua história, do seu percurso e do seu posicionamento em relação aos novos tempos e até de acordo com as "novas" opções políticas e ideológicas.
Mas, sinto que muito ainda está por fazer, para que se aprofunde a democracia, para que se sinta a política como uma causa nobre que sirva os cidadãos e o país e não o contrário.
Quando olhamos o desenvolvimento efetuado no nosso país, sentimos que ele se transformou a todos os níveis, na saúde, no ensino, no mundo laboral, mas nós os aficionados paramos no tempo, não soubemos potencializar todos os meios que a nova dinâmica deste país nos pôs ao nosso dispor.
Não promovemos estratégias de valorização da nossa festa, nem sequer potenciamos as novas riquezas do Portugal pós-25 de Abril. Melhor mobilidade, novos meios de comunicação, alterações de bem estar nas nossas praças, etc, etc, etc.
Não soubemos (ou não nos deixaram) reeducar e educar as novas gerações pelo Mundo da Tauromaquia e todo o seu enquadramento. Por exemplo, hoje temos um considerável número de praças de toiros cobertas mas no entanto quando chega o Carnaval nem um único espetáculo vocacionado para os mais novos. Noutros tempos com sol ou chuva realizavam-se um bom número de espetáculos cômicos-taurinos-musicais que eram e foram a antecâmara para a paixão por este mundo, único e deslumbrante junto das camadas mais novas.
Por vezes, somos impotentes, incapazes de dar força às energias que herdámos de uma história tauromáquica milenar e que devemos legar a futuras gerações, para que a Festa de Toiros continue a ser festejada com emoção e grandeza.
Continuamos a crer manter vivo um mundo aparte, elitista e até nalguns casos saudosista. Nunca como agora será necessário abrir o nosso meio á sociedade em geral, porque esta, uma parte á muito que nos marginalizou, a restante marca presença nas corridas de toiros de Norte a Sul do país.
Continuamos a alimentar a ideia de que a Tauromaquia vive pendente do mundo rural quando uma Corrida de Toiros é e deve ser um fenómeno e um evento artístico essencialmente urbano, pelas suas características e pelas suas necessidades.
O mundo rural vive em paralelo na criação do toiro e do cavalo.

Afinal a Democracia está cumprida, dela herdamos a nossa liberdade, o direito a sermos aficionados, mas agora falta cumprir o nosso Portugal Taurino.
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