5 de octubre : Marco José tira de la manta y da una gran sacudida al actual mundillo taurino portugués


Por Jaime Martínez Amante. -

Marco José recebeu a alternativa no Campo Pequeno a 6 de Julho de 1995, das mãos de Paulo Caetano. Natural das Caldas da Rainha, é um cavaleiro que cuida ao pormenor o arranjo e a apresentação das suas montadas, regendo-se por elevados padrões de exigência. A 14 de Agosto de 2005, apresentou-se na Monumental de Madrid (Las Ventas) deixando boa impressão entre os aficionados.

O cavaleiro Marco José cumpre esta temporada o 26º aniversário da sua alternativa. Nasceu nas Caldas da Rainha e estreou-se a 16 de Agosto de 1986 numa corrida realizada na Batalha, onde repartiu cartel com José Maldonado Cortes, José Zuquete, António Raúl Brito Paes e o matador José Manuel Pinto. Lidaram-se toiros do Engº Lopo de Carvalho e as pegas a cargo dos Forcados da Azambuja.

Reside em Évora há vários anos e no final da temporada abrirá cartel em Mourão no próximo dia 9 de Outubro, paradoxalmente numa corrida de “oportunidade”.


26 anos de alternativa. Mudavas alguma coisa neste percurso ? É positiva a tua trajetória até ao momento ?


Podia corrigir algumas situações em alguns momentos, adaptando à evolução dos tempos, mas na realidade, não mudava nada.

A trajectória torna-se sempre positiva ao fim de tantos anos dedicados a uma profissão e a desafios que nos tocam e que enchem a alma e o coração.

Sempre dediquei o meu tempo a fazer o que mais gosto. É assim, sinto-me mais forte e realizado profissionalmente.

Deitar-me e acordar a pensar no treino dos cavalos, na sua evolução e crescimento e sempre tentando aperfeiçoar o ensino dos mesmos,  tornando o meu dia a dia um desafio constante e aliciante.

A minha vida tem sido pautada e desenvolvida através de desafios, metas e ambições, em suma, tem sido uma luta diária, constante e de superação aos enormes atropelos com que a festa se depara atualmente.

Sem antecedentes familiares taurinos, mas sempre com a ajuda, apoio e compreensão familiar ao longo dos anos.

Assim sendo, foi-me permitido encarar todos os desafios com força, empenho, dedicação e respeito pela minha profissão reconhecida oficialmente mas que alguns, poucos felizmente, têm vindo a pôr em causa num estado de direitos democráticos. 


Finais dos anos 90, início do novo século, atualmente pandemia (anti-taurina). Retrospectivas destes momentos ?


São momentos muito difíceis que a todos marcam e que nalguns deixam sequelas.

Estes anos provocaram alterações significativas em toda a vivência cultural, social e sócio económica, envolvendo como foi evidente a tauromaquia, tornando estes tempos difíceis e atípicos.

Não é fácil sustentar uma quadra de cavalos e toda uma estrutura envolvente se não existirem apoios expressivos na ausência dos espectáculos tauromáquicos e da fraca comercialização de cavalos.

Trabalhar todos os dias nesta arte sem saber o que nos espera no futuro próximo e sem poder delinear uma época atempadamente devido à situação pandémica, é um esforço sem paralelo.

Parece que hoje tudo está a mudar e que a curto prazo poderemos voltar à normalidade.


Acreditas num futuro diferente para a Festa ?


A festa terá sempre o seu futuro.

Esse futuro será diferente para melhor ou pior, assim entendam todos os intervenientes directos ou indirectos.

Não posso precisar se será para melhor ou pior, mas que as coisas vão mudar, disso tenho a certeza.

A cultura tauromáquica mudou muito e tem vindo a ter outras expressões. 

Lamento que a paixão, entrega, dedicação, valor e ilusão pela tauromaquia assim como os valores pela cultura taurina estejam a desaparecer … Tudo está entregue a um jogo de interesse, a um clube de amigos, a alianças pré-concebidas, colocando em causa ao que julgo saber, o respeito pelo aficionado assim como pelo público pagante.

A emoção está a desaparecer 

O valor artístico começa a ser colocado em causa, veja-se para o efeito a configuração dos cartéis durante uma época inteira, como se de um campeonato se trata-se,  onde tanto faz ter êxito como estar normal. São sempre ou quase sempre os mesmos, empresas e artistas numa permuta desenfreada.

Qualquer pessoa com cultura taurina põem em causa esta situação.

Na actualidade, qualquer pessoa sem cultura taurina ou sem experiência própria de tauromaquia fala, escreve e crítica sem uma base mínima.


Mesmo durante a pandemia (2020/2021) participaste em várias tardes! Que balanço fazes deste período ?


Toureei aquelas que me foram permitidas estar presente.

As corridas onde participei correram bem mas se corressem mal, atento ao sistema implementado, o resultado seria o mesmo. Pois, não faço parte nem nunca fiz de qualquer organização tauromáquica ou afins. 

Sempre fui contratado pelo meu mérito próprio. 

Levo 26 anos como cavaleiro tauromáquico profissional e 33 anos como cavaleiro sempre no activo

Toureei em quase todas as praças de Portugal.

Tirei a prova de praticante Cavaleiro Praticante: 15 de Agosto de 1992, Praça de touros das Caldas da Rainha

Alternativa Cavaleiro Profissional a 6 de Julho de 1995, Praça de Touros do Campo Pequeno na XXXI CORRIDA TV, padrinho Paulo Caetano.

Alternativa (simbólica) em Cuenca , Espanha, padrinho Pablo Hermozo Mendonza.

Toureei em França, Espanha, México e Califórnia.

Lidei  6 touros da ganadaria Grave em solitário na Palha Blanco (Vila Franca de Xira) em 2001, ano do seu centenário;

Lidei  touros da ganadaria Miura com triunfo assinalado pela imprensa, na Praça de Touros de Vila Franca de Xira, 2001.

Apresentei-me na praça de Las Ventas,em Madrid, na comemoração dos 10 anos de alternativa, como cavaleiro profissional, 14 de Agosto.

Modéstia à parte, tenho currículo e provas dadas quanto baste, para ser contratado sem estar ligado a nenhuma organização tauromáquica. Atualmente é um amigo, o meu representante e apoderado que me acompanha e representa profissionalmente.


Neste novo ambiente "mercantilista" continua a ser um profissional altamente cotado. Sentes-te um toureiro injustiçado ?


Não, pelo contrário.

Sempre que estou na praça sou acarinhado e respeitado por todos.

Tive desafios muito fortes que superei e triunfei conforme a crítica exigente à época o referenciou, o que me fez crescer como cidadão, profissional do toureio, taurino e chefe de família.


Na perspetiva de um profissional do toureio (neste caso tu) que medidas entenderias deviam ser tomadas para revitalizar a Festa ?


A festa precisa muito de ser revitalizada, profissionalizada e mais respeitada, sobretudo por aqueles que a envolvem. 

A imagem da tauromaquia tem que ser adaptada à evolução sistêmica dos tempos.

Ser profissional tauromáquico impõe qualificação académica e prática para que o profissional seja mais respeitado e para que o público possa exigir cada vez mais. 

É preciso mudar mentalidades, crescer e criar melhores condições quer para os profissionais quer para o público que assiste aos espectáculos. Neste caso, melhorando o espaço físico que o envolve, manter e revitalizar datas tradicionais envolvendo tanto quanto possível as forças vivas, designadamente as entidades locais e respectivos eleitos.

Não basta organizar espectáculos reivindicando apoios para que sejam sempre os mesmos. É preciso divulgar a festa brava, as suas tradições, os seus intervenientes como cultura, junto da juventude tão carente de tamanhos conhecimentos.

 

Sentes saudades da Festa de outros tempos ?


Sim, muita saudade.

Existiam valores, amizades, histórias, respeito e muita humildade na forma como se vivia a tauromaquia e onde só tinham lugar os que se impunham por mérito próprio, triunfando.

Hoje como as coisas se encontram ou estás por dentro do sistema,  no grupo daqueles que comandam e tentam governar a tauromaquia ou então não tens hipótese de singrar, crescer, tourear e muito menos fazer desta vida uma profissão à semelhança das demais.

Basta de enredos, tráfego de influências, jogadas de bastidores para que, sobretudo, os mais novos se possam afirmar como novos valores.


Em jeito de final de entrevista ..


Queria agradecer a todos aqueles que de uma forma ou outra sempre me acarinharam desinteressadamente e me acompanharam demonstrando todo o seu carinho e entrega, designadamente aqueles que comigo têm vindo a colaborar mais de perto, ou seja, os meus amigos e familiares.

Aproveito esta oportunidade para enaltecer a dedicação de todos que têm vindo a ser demonstrada ao longo de dias, anos pela aficion indiscriminadamente. 

Como não poderia deixar de ser, pela paixão que tenho ao touro e aos cavalos, vou continuar a trabalhar com muita entrega e dedicação mantendo sempre a ilusão de mais e melhor.

O respeito, entrega, humildade, espírito de sacrifício, dedicação e a minha maneira de estar nesta profissão de cavaleiro tauromáquico e agora com a afirmação de novos projectos para o oriente onde prevalecerá sempre o espectáculo com o touro e o cavalo lusitano, serão certamente o futuro próximo, nunca esquecendo a aficion em Portugal. 



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