Montemor, 5-S) Una crónica absolutamente diferente a cargo de João Parreira

João Parreira escribió una interesante crónica sobre la tradicional corrida del primer domingo de septiembre en la plaza de toros de Montemor-O-Novo. El publica en Facebook. Y, con la debida venia, entendemos que merece ser leída por los miles de asiduos que la TRIBUNA da TAUROMAQUIA IBÉRICA ya tiene.

Dice así :

Por João Parreira.

O primeiro Domingo de Setembro é sempre sinónimo de Corrida de Touros em Montemor.
Este ano foi diferente, uma corrida cheia de simbolismo, recordações e emoções .
Para além da homenagem ao Sr Simão Comenda, figura incontornável da forcadagem nacional. Havia também a mudança de Cabo dos forcados cá da terra.
Para a lidar 6 touros da Ganadaria S. Torcato, estavam os cavaleiros João Moura Jr (JMJ), João Teles Jr (JTJ) e Francisco Palha (FP).

O curro vindo da Herdade do Vidigal, apresentou-se com um peso pouco vulgar, visto nas nossas praças. O que faltava em peso, para mim mais 80kg em alguns seria o touro ideal. No entanto, na maioria saíram bravos e nobres, á excepção do 4 e do 6. Não defraudaram quem pagou bilhete.

1º touro - 510 kg, negro , nobre, cresceu durante a lide.
JMJ , fez uma lide desenvolta, tendo falhado alguns ferros curtos.
António Vacas de Carvalho, que fazia aqui a sua última pega enquanto cabo, consuma a pega à terceira tentativa, nas duas tentativas anteriores não se fecha bem, sendo facilmente desfeiteado pelo touro ao primeiro derrote. Entregou a jaqueta a António Pena Monteiro. Num momento carregado de emoção .

2º Touro - 520 kg, um castanho olho de perdiz, que perde as mãos logo a sair à praça, quando a recebe os ferros manifesta-se de uma forma exuberante. No entanto é um touro que vem para o cavalo de qualquer lado da praça. Bravo e nobre.
JTJ- coloca um ferro curto de boa nota, também esteve bem na brega mantendo-se sempre ligado ao touro.
A pega foi de Cernelha concretizada à 2 tentiva por Antonio Pena Monteiro e por Francisco Godinho. Na 1 tentativa , junto à porta dos cavalos, o cernelheiro adiantou-se ao rabejador , o que fez com que ficasse sozinho no touro. tendo sido colhido. À segunda e já nos terrenos onde a cernelha deve ser feita, concretizam a pega.

Uma nota, o jogo de cabrestos da ganadaria S. Torcato estavam ferrados com ferro Pinto Barreiros.
No entanto, e a meu ver, quer campinos quer cabrestos tem pouca practica nas "lides" dentro de praça. Houve momentos em que estavam aos papéis na condução dos cabrestos. E outros momentos, que fizeram o delírio do público, a quando do recolherem os touros, onde fizeram recortes a corpo limpo dignos das ruas das festas de Vila Franca. Para mim, este tipo de atitudes não dignifica em nada a figura do campino.

3º Touro - 465 kg, castanho, nobre e com muita mobilidade.
FP brinda, desmontado do cavalo e no centro da arena ao empresário da praça (Paulo Vacas de Carvalho)
Inicia a lide com uma sorte gaiola desacertada. No entanto deixa 2 bons ferros curtos.
António Calça e Pina numa boa primeira tentativa. Grande ajuda do 2 ajuda.

João José Comenda foi o único antigo forcado fardado em praça, que nos brindou com 2 actuações de quem sabe e ainda pode fazer as coisas como deve de ser. Obrigado João José Comenda por mais uma tarde que demonstras-te a classe de bem rabejar.

4º Touro - 460kg. castanho bragado. Adiantava se ao cavaleiro e tinha arreões de manso.
JMJ, apesar de ter feito uma sorte gaiola eficaz, não evitou durante a lide alguns toques na montada.
Não tendo uma nenhum brilhantismo no conjunto das 2 lides, foi regular.
João da Câmara, citou e provocou a investida do touro que se arrancou prontamente. Efectuando a pega à primeira tentativa.

5º Touro - 455 kg, negro, com nobreza e bravo.
Não há quinto mau e este foi o caso.
O touro, saiu com pata, indo com ímpeto de bravo ao ferro e perseguindo o cavalo com codicia. Não abriu a boca até entrar para os curros. Foi aplaudido pelo publico.
JTJ fez numa lide muito boa. Soube aproveitar as belíssimas condições de lide do oponente e colocou bons ferros curtos. Para mim um dos melhores ferros da tarde.
Francisco Barreto à primeira tentativa. O touro arrancou se de largo, aguentou e alegrou o touro. Fechou-se bem na cara do touro assim como o grupo junto às tábuas.

6º Touro - 475 kg. Castanho bragado, "um manhoso" saiu com pata atrás do cavalo após o primeiro ferro, mas durante a lide começou a encostar-se em tábuas e a defender-se de tal maneira que não saia da porta dos cavalos.
FP fez uma excelente sorte gaiola, 2 ferros de curtos de boa nota. Bem na brega. Sobretudo para tirar o touro das tábuas, não deixando os peões de brega fazê-lo. Raro nas nossas praças nos dias que correm.
Francisco Borges à 3 tentativa. na primeira o touro saiu bruto e estava num terreno que se defendia um bocado, na segundo creio que o forcado se calou e a colocação do touro não terá sido a melhor devido às condições de iluminação da praça. À terceira e com grupo carregado efectuou a pega.

Durante a corrida fomos brindados pelo S.Pedro; a iluminação da praça foi péssima, faltava em quantidade e em qualidade, o que dificultou em muito as lides e a pega do último touro. Um pormenor que faz toda a diferença.
Um senhor que estava a meu lado dizia :
"Paguei bilhete para os touros, não foi para uma noite de fados, está tudo à meia luz!"

Para o ano há mais. A festa dos touros faz parte da identidade do meu concelho e está bem presente nas suas gentes.



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