Algo se muere en el alma, cuando un amigo se va...

"Algo se muere en el alma, cuando un amigo se va.
Y va dejando una huella que no se puede borrar..."
"Ese vacío que deja el amigo que se va... es como un pozo sin fondo que no se vuelve a llenar".


El adiós de uno de los nuestros...

Fim da linha para o presidente Dr. Jorge Sampaio, "o amigo da Tauromaquia". 

Desgraciadamente, su cuerpo no resistió a los últimos contratiempos de Salud y así, el personaje tan estimado que -sin duda- era, ha acabado sus días en este Mundo. La noticia no puede sino sobrecoger a los que estimábamos al político, pero también a la persona. Por circunstancias que ahora no vienen al caso, tuvimos la suerte de conocerle y saludarle personalmente y departir unos breves minutos con el, hace ya bastantes años. De su afabilidad nos quedó muy buen recuerdo. Hoy, qué duda cabe, sentimos no poco su muerte. 

No solamente hay que lamentar el adiós de los propios toreros, banderilleros, cavaleiros... los personajes de la Fiesta. Hay otros, e importantes personajes que, por aficionados de pro, o simplemente porque en todo momento en sus desempeños públicos supieron respetar la Tauromaquia, que deben ser recordados con el afecto que bien merecen, en la hora de partir. 

Es un viernes muy triste para la Tauromaquia, porque el presidente Jorge Sampaio era uno de los nuestros. 

Pero también se nos ha ido un gran amigo de España, personaje muy considerado y querido en muy diferentes ámbitos -y no solo políticos o gubernamentales- de la vida hispana.

Que Dios acoja su alma con la benevolencia y generosidad divina. El doctor Jorge Sampaio quedará para siempre en el recuerdo. 

Desde esta humilde TRIBUNA da TAUROMAQUIA IBÉRICA no podemos por menos que recordarle con el afecto y la gran consideración que nos merece, como personaje que supo ser y estar. 

Descanse en paz. 

E. E. 

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Partiu o Presidente aficionado...

Por Jaime Martínez Amante. 

Morreu esta sexta-feira, 10 de Setembro, aos 81 anos de idade, Jorge Sampaio, o último Presidente da República, que em funções, assistiu a corridas de touros e que sempre se assumiu como grande aficionado.

Estava internado, no Hospital de Santa Cruz em Lisboa na sequência de dificuldades respiratórias após sentir-se mal no Algarve e de onde foi transferido de helicóptero.
Encontrava-se hospitalizado desde o dia 27 de Agosto.

Presidente da República entre os anos 1996 e 2006, Jorge Sampaio era presença regular em espetáculos tauromáquicos, sobretudo no Campo Pequeno, onde assistiu a diversos espetáculos e homenageou diversas figuras do mundo tauromáquico. 
Era também presença habitual - quando as funções políticas e presidenciais o permitiam - em praças da vizinha Espanha, pois reconheceu várias vezes ser um aficionado aos toiros de morte. Muitas vezes viajou até Madrid para assistir a corridas de toiros na Monumental de Las Ventas, quase sempre na companhia de Vera Jardim, ex-ministro da Justiça, também ele um aficionado assumido.
É também ao Presidente Jorge Sampaio que se deve a promulgação em 2002 do Decreto de Lei que ainda hoje permite os touros de morte em Barrancos.

No livro “A Década de Jorge Sampaio”, é relatado um episódio em que Jorge Sampaio andava em campanha para a Presidência da República em Vila Franca de Xira quando um jornalista lhe perguntou se gostava de touradas. À volta do candidato, o staff da campanha imaginou uma resposta politicamente correta.
Jorge Sampaio foi perentório: “Gosto muito e só tenho pena de não poder assistir mais vezes.” João Gabriel, à época seu assessor de imprensa, confessou que ficou “gelado” e correu atrás dos jornalistas para tentar desvalorizar a revelação feita pelo futuro Presidente da República.

A 19 de Março de 2007 no decorrer de um debate sobre a Festa de Toiros em Portugal na Casa Museu Mário Coelho em Vila Franca de Xira afirmou “Deixem as pessoas que gostam da festa brava, recriarem-se culturalmente. Deixem a Festa correr”.
Nesse final de tarde o ex-presidente da República, Jorge Sampaio, interveio a favor da continuidade das touradas em Portugal.
Jorge Sampaio, explicou, durante a sua intervenção, no decorrer daquele que considerou o seu primeiro ato público relacionado com a Festa Brava, depois de terminar o seu mandato enquanto presidente da República, que a sua afición começou com a mãe que morava perto do Campo Pequeno e que o levava às touradas em Espanha. O ex-presidente defendeu um pluralismo cultural, “mesmo que isso implique a morte do animal”. Neste sentido abordou a posição tomada no seu mandato a favor das touradas de Barrancos e ficou celebre a sua leitura sobre a Ferâ de Barrancos - “Nem Salazar proibiu as touradas de Barrancos e, podemos criticá-lo por muita coisa mas, burro ele não era”.
A polémica criada à época em volta das tradições barranquenhas, Sampaio justificou com “uma incapacidade das pessoas em compreender que existem diferenças culturais”.

Morreu um combatente em favor da Liberdade e da Democracia e Portugal e os portugueses devem honrar a sua memória.

Partiu hoje Jorge Sampaio, o último Presidente da República Portuguesa aficionado.

Ficou mais pobre a Festa Brava em Portugal.

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Jorge Sampaio - de seu nome completo, Jorge Fernando Branco de Sampaio - nasceu em Lisboa, em 18 de Setembro de 1939, filho de Arnaldo Sampaio, médico, especialista em Saúde Pública, e de Fernanda Bensaude Branco de Sampaio, professora particular de inglês. É casado com Maria José Ritta e tem dois filhos, Vera e André.

Desde a infância, fez estudos musicais e, por imperativo da carreira do pai, passou largo tempo nos EUA e na Inglaterra, experiência que o marcou muito. Frequentou os estudos secundários nos liceus Pedro Nunes e Passos Manuel.

Em 1961, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Na Universidade, desenvolveu uma relevante actividade académica, iniciando, assim, uma persistente acção política de oposição à Ditadura. Foi eleito Presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito, em 1960-61, e Secretário-Geral da Reunião Inter Associações Académicas (RIA), em 1961-62. Nessa qualidade, é um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, a qual esteve na origem de um longo e generalizado movimento de contestação estudantil, que durou até ao 25 de Abril de 1974, e que abalou profundamente o Regime.

Deu, entretanto, início a uma intensa carreira de advogado, que se estendeu por todos os ramos de Direito, tendo desempenhado também funções directivas na Ordem dos Advogados. Teve um papel de relevo na defesa de presos políticos, no Tribunal Plenário de Lisboa.

Prosseguindo a sua acção como opositor à Ditadura, candidatou-se, em 1969, às eleições para a Assembleia Nacional, integrando as listas da CDE. Desenvolve uma constante actividade política e intelectual, participando nos movimentos de resistência e na afirmação de uma alternativa democrática de matriz socialista, aberta aos novos horizontes do pensamento político europeu.

Após a Revolução do 25 de Abril de 1974, é um dos principais impulsionadores da criação do Movimento de Esquerda Socialista (MES), do qual se desvincula, todavia, logo no congresso fundador em Dezembro do mesmo ano, por discordância de fundo com a orientação ideológica aí definida.

Desempenha, nos anos da Revolução, um importante papel no diálogo com a ala moderada do MFA, sendo um activo apoiante das posições do “Grupo dos Nove”. Em Março de 1975, é nomeado Secretário de Estado da Cooperação Externa, no IV Governo Provisório.

Ainda em 1975, funda a “Intervenção Socialista”, grupo constituído por políticos e intelectuais, que viriam a desempenhar funções de relevo na vida pública, e que desenvolveu um significativo trabalho de reflexão e renovação política.

Em 1978, Jorge Sampaio adere ao partido Socialista. Em 1979, é eleito deputado à Assembleia da República, pelo círculo de Lisboa, e passa a integrar o Secretariado Nacional do PS.

De 1979 a 1984, é membro da Comissão Europeia dos Direitos do Homem no Conselho da Europa, realizando aí um importante trabalho na defesa dos Direitos Fundamentais e contribuindo para uma aplicação mais dinâmica dos princípios contidos na Convenção Europeia dos Direitos do Homem. É reeleito deputado à Assembleia da República, em 1980, 1985, 1987 e 1991. Em 1987/88 é Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, tendo assumido, em 1986-87, a responsabilidade das Relações Internacionais do PS. Foi ainda co-Presidente do “Comité África” da Internacional Socialista.

No ano de 1989, é eleito Secretário-Geral do Partido Socialista, cargo que exerce até 1991, e é designado, pela Assembleia da República, como membro do Conselho de Estado.

Em 1989, decide concorrer à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, cargo para o qual é, então, eleito e depois reeleito, em 1993. Esta candidatura assumiu, na altura, um grande significado político e contribuiu para dar às eleições autárquicas um relevo nacional. Como Presidente da Câmara de Lisboa e à frente de uma equipa, afirmou uma visão estratégica, com recurso a novas concepções e métodos de planeamento, gestão, integração e desenvolvimento urbanístico.

De 1990 a 1995, exerce a Presidência da União das Cidades de Língua Portuguesa (UCCLA), sendo eleito Vice-Presidente da União das Cidades Ibero-Americanas, em 1990. Foi também eleito Presidente do Movimento das Eurocidades (1990) e Presidente da Federação Mundial das Cidades Unidas (1992).

Em 1995, Jorge Sampaio apresenta a sua candidatura às eleições presidenciais. Recebe o apoio de inúmeras personalidades, independentes e de outras áreas políticas, com destaque na vida política, cultural, económica e social, e do Partido Socialista. Em 14 de Janeiro de 1996, é eleito, à primeira volta. Foi investido no cargo de Presidente da República, no dia 9 de Março de 1996, prestando juramento solene. Cumpriu o seu primeiro mandato exercendo uma magistratura de iniciativa na linha do seu compromisso eleitoral. Apresentou-se de novo e voltou a ser eleito à primeira volta, em 14 de Janeiro de 2001, para um novo mandato.

Jorge Sampaio manteve, ao longo dos anos, uma constante intervenção político-cultural, nomeadamente através da presença assídua em jornais e revistas (Seara Nova, O Tempo e o Modo, República, Jornal Novo, Opção, Expresso, O Jornal, Diário de Notícias e Público, entre outros)

Em 1991, publicou, sob o título A Festa de Um Sonho, uma colectânea dos seus textos políticos. Em 1995, é editado o seu livro Um Olhar sobre Portugal, no qual responde a personalidades de vários sectores da vida nacional, configurando a sua perspectiva dos problemas do País. Em 2000, publica o livro Quero Dizer-vos, em que expõe a sua visão actualizada dos desafios que se põem à sociedade portuguesa. As suas intervenções presidenciais têm sido reunidas nos livros Portugueses I, II, III, IV, V e VI.

Foi agraciado com várias condecorações e tem recebido diversas distinções nacionais e estrangeiras.


 


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