José Falcão (30/08/1942 - 11/08/1974). 47 Anos daquela fatídica tarde

Por Jaime Martínez Amante. )

José Carlos Frita Falcão nasceu em 30 de agosto de 1942 em Povos, (Vila Franca de Xira) filho de Fernando Morgado Falcão e de D. Sofia da Conceição Frita Falcão e irmão de Osvaldo Falcão.

Corria sangue toureiro na família Falcão. O seu avô, Mateus Falcão tinha sido bandarilheiro e o seu tio, Carlos Falcão iniciou-se nas lides como promissor novilheiro, contemporâneo de José Júlio e Armando Soares, vindo mais tarde a destacar-se com extraordinário bandarilheiro


A ascendência humilde nunca o traumatizou. Pelo contrário, tinha nela motivos de orgulho e visitava os seus pais, a família e a sua Vila Franca com frequência. Era para o pequeno negócio gerido por sua mãe, que o também saudoso Vicente de La Calle, seu amigo e fiel moço de espadas endereçava o telegrama tranquilizador após cada corrida.

O ambiente taurino vila-franquense era de excelência. José Falcão e o seu irmão, Osvaldo, eram presenças frequentes nas tentas que se realizavam nas várias Ganadarias da zona.

Como na maioria dos gaiatos de então, pretendentes a toureiros, o final do dia era passado na arena da Palha Blanco sob os ensinamentos do Mestre António Cadório. Na época vivia-se feliz entre brincadeiras improvisadas em que qualquer rua ou recanto da vila servia de pretexto para a improvisada corrida de toiros.

Levado por António Cadório, actua pela primeira vez em público em jornada dupla a 8 e 10 de Fevereiro de 1959 no Campo Pequeno, na parte séria de um Espetáculo Cómico Taurino, na época carnavalesca. Tinha como apodo taurino “El Terramoto de Povos”.

No ano seguinte (1960) ingressa na Escola de Toureio de Coruche. Sob a orientação dos Irmãos Badajoz actua em Coruche na tarde de 15 de Abril de 1962 para um mês depois a 20 de Maio debutar vestido de luzes, na Monumental Amadeu Augusto dos Santos, no Montijo, com uma novilhada da Sociedade Agrícola de Rio Frio e tendo como alternantes Carlos do Carmo, Mário António e o seu grande amigo Óscar Rosmano.,

Cumpre o Serviço Militar no Regimento de Artilharia Pesada nº 3 na Figueira da Foz no ano de 1963, curiosamente local da última corrida em praças de toiros portuguesas - 4 de Agosto de 1974 - oito dias antes da trágica colhida.

Debuta com picadores a 15 de Maio de 1967 em Mérida (Badajoz) alternando com Gabriel de La Casa e Juan Carlos Beca Belmonte, na lide de novilhos de José Escobar.

Apresenta-se como novilheiro pela primeira vez na Monumental de Las Ventas, em Madrid, a 19 de Março de 1968, cortando três orelhas a reses de Maria Cruz Gomendio. Alterna com Bienvenido Luján e Gregório Lalanda.

Embalado por uma extraordinária campanha de novilheiro, recebe a alternativa na Praça de Toiros de Badajoz, por ocasião da Feira de San Juan, a 23 de junho de 1968, apadrinhado por Paco Camino que lhe cedeu o toiro Norteño, negro, marcado com o nº 48 e com 485 Kg, e testemunhada por Francisco Rivera “Paquirri”. Lidam-se toiros portugueses de Alberto Cunhal Patrício e corta nessa tarde quatro orelhas.

Passado um ano regressa à Monumental de “Las Ventas” para confirmar, 27 de julho de 1969, a sua alternativa. Cerimônia apadrinhada por Vicente Punzón, sendo testemunha Aurélio Garcia Higares.Lidam-se toiros de Joaquim Murteira Grave e actua também o rejoneador mexicano Gaston Santos.

Ainda em 1969, cruza o charco e a 13 de Dezembro confirma a alternativa em México, na Monumental Praça México. Alterna com Joaquim Bernadó e António Lomelin. Lidam-se toiros de Zacatepec. É colhido pelo seu segundo toiro na perna esquerda com gravidade.

Toureiro completo nos três tércios, José Falcão levou a cabo uma extraordinária carreira, atuando nas principais praças de Portugal, Espanha, França, América Latina e em Moçambique.

A 20 de Junho de 1974 protagonizou um momento raro na arena do Campo Pequeno, em Lisboa, no decorrer da 12ª Corrida TV ao estoquear um toiro, da Ganadaria de Oliveira & Irmãos numa corrida onde alternava com Amadeu dos Anjos. A cavalo atuaram, Mestre Batista e Luís Miguel da Veiga e ainda a presença dos Amadores do Ribatejo.

Actua pela última vez em Portugal, na Praça de Toiros da Figueira da Foz em Agosto de 1974.

José Falcão morreu com apenas 31 anos a 11 de Agosto de 1974, em Barcelona, poucas horas depois de sofrer uma cornada na femoral ao lidar o toiro Cuchareto, da ganadaria Hoyo de La Gitana, na enfermaria da Monumental de Barcelona.

Fotos : D.R. / Joao Carlos D 'Alvarenga

José Falcão

Cartel de un festival en homenaje y recuerdo, en Vila Franca de Xira, mes de agosto del año 1978, con la intención de recaudar fondos para la construcción de un mausoleo.

Banderilleando en conjunto a un toro, en la compañía del gran Ricardo Chibanga

Cartel dela Feria de Badajoz donde tomó la alternativa


Artículo Anterior Artículo Siguiente